A nova era da informatização
traz outras formas de acesso à informações que de outras formas ou através de
outros meios não seria possível. É importante destacar que o modo pela qual se
têm acesso aos possíveis níveis de informação, conhecimento e “ensino” abrangem
o conceito do letramento uma vez que este processo se dá pelas interações
sociais que derivam da obtenção formal de códigos através de instituições
convencionais por meio da escrita e leitura.
Com base nisso, observa‐se que os estudantes não
apenas conservam uma nova relação de escrita e leitura por meio da era digital,
como também necessitam de discernimento para que estas interações a levem a
base da informação pela qual se pretenda chegar. Em outras palavras, a partir
do momento que o estudante faz uso dos prévios conhecimentos que obteve através
da escrita e da leitura é possível que este estudante mantenha uma relação de
coerência com o objeto de estudo pesquisado.
Portanto, a era da
informática não traz apenas outras percepções do mundo externo que interferem
no processo de aprendizagem, mas também os novos elementos desta nova era
exigem do aluno discernimento sobre sua própria visão, ou sobre sua própria
percepção para que desta forma o usuário não seja levado pelo objeto de estudo,
ou até mesmo se perca dentro de sua própria pesquisa.
Assim, deduz‐se que o estudante ao lidar
com o hipertexto, necessita não apenas de habilidades de escrita e leitura
convencionais, mas também ele faz uso de outras competências e habilidades de
raciocínio que dificilmente são exigidas numa leitura linear.
Sobre o ponto de vista de
habilidades plurais sugeridos pelo letramento midiático, o autor Jacob Mey
(1998) expressa que
o letramento, tanto o do tipo usual
quanto o do “computador”, é mais do que “uma tecnologia de informação”, ativa
ou passivamente adquirida. Não é suficiente se ter a capacidade de ler e
escrever ou se ter acesso à Internet e ser um “sufista” hábil; é necessário
também que se saiba o que procurar na rede; senão iremos aonde o surfe e não os
nossos corações e nossas mentes nos levarem. Na verdade, a antiga distinção
entre “saber o quê” e “saber o porquê” é tão atual hoje quanto na era em que
foi formulada pela primeira vez. O letramento da mídia é, em primeiro lugar, e
em seu aspecto primário, a habilidade de se acessar a mídia, mas este acesso
tem que ser exercido de maneira em que os movimentos se façam em relação às
tecnologias do conhecimento (da leitura, da escrita e do surfe) pelo qual sejam
inspirados e condicionados pela nossa atitude em relação à sociedade. (p.336).
Desta
forma, observa‐se que a habilidades de
escrita e leitura mais habilidades de raciocínio e coerência que o objeto de
estudo, trabalha o estudante de tal forma que sua relação com o meio social se
torna tênue uma vez que tais habilidades convergem para uma dinâmica interativa
entre as percepções e habilidades do usuário mais as condições relacionadas à
sociedade. Sobre este aspecto, Santaella (2001) fala que
a hipermídia [por meio do
hipertexto] é uma linguagem eminentemente interativa. O leitor não
pode usá‐la de modo reativo ou passivo. Ao final de cada página ou
tela, é preciso escolher para onde seguir. É o usuário que determina que
informações deve ser vista, em que seqüência ela deve ser vista a por quanto
tempo(p.394).
Sendo
assim, o processo educacional através do letramento midiático produz novas
relações de aprendizagem entre aluno e o momento pela qual o mundo atravessa
(sociedade) que a escola sozinha não consegue estabelecer completamente.
A presença das Técnicas de Informação
e Comunicação na vivência do aluno, fora do contexto escolar, reforça a
necessidade de integração entre esse universo e o escolar, que se complementam
no processo de aprendizagem dos indivíduos. Dessa maneira, o trabalho
pedagógico deve ser coerente com uma visão de conhecimento que faz com que
sujeito e objeto interajam, assim como aprendizagem e ensino. Nessa
perspectiva, as TIC tornam‐se ferramentas poderosas capazes de ampliar as chances de
aprendizagem do aluno. (OLIVEIRA,etall, 2001,apud AIRES,2008:38).
Contudo,
no contexto atual da educação, observa‐se que o
estudante tem ao seu dispor elementos que estimulam outras formas de interação
o que por sua vez contribuem diretamente no processo de aprendizagem. A
Internet, através do hipertexto, coloca o estudante numa situação de co‐autor da informação uma vez que esta se forma
conforme o discernimento do aluno em relação ao próximo ponto que deva ser
seguido. E esta é exatamente a principal relação que existe entre estes novos
elementos e o modelo de ensino, que, aliás, não proporcionam apenas novas
possibilidades para os alunos, como também para os professores.
Letramento Midiático e o
Novo Papel do Professor.
O letramento midiático na
educação não apenas altera a relação do estudante com o ensino e aprendizagem,
mas também altera o papel do professor que antes tinha como função exclusiva
dirigir aos alunos o fluxo de conhecimentos que estavam detidos em livros. No
entanto, na era da informatização, o papel deste profissional se direciona não
apenas à compreensão e disseminação destes assuntos, mais também aos novos
temas e conhecimentos contextualizados pelos quais os alunos se deparam frente
a tantas possibilidades proporcionadas pela hipermídia.
É sabido que as
possibilidades de aprendizagem na era da informática se apresentam de forma
diversificada, mas ainda assim quem dita o ritmo de quantidade e grau de
informação é o usuário. Porém, quando se forma uma dúvida a partir destas
possibilidades não basta que o professor se limite apenas a auxiliar sobre
questões superficiais e “disciplinares”, é preciso que ele estabeleça também
novas relações pedagógicas capazes de propiciar ao aluno direcionamentos que
facilitem a apropriação de novos saberes. Para tanto é preciso que o professor
se coloque no papel de problematizador, uma vez que os temas propostos por
estes novos meios possibilitam opiniões que necessitam de direcionamento, e não
definições inatingíveis.
A educação problematizadora,
respondendo à essência do ser da consciência, que é a sua intencionalidade,
nega os comunicados e existência a comunicação. (...) A concepção “bancária”
nega a dialogicidade como essência da educação e se faz antidialógica; para
realizar a superação, a educação problematizadora – situação gnosiológica –
afirma a dialogicidade e se faz dialógica. (...) Desta maneira, o educador já
não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com
o educando que, ao ser educado, também educa. (...) “Argumentos de autoridade”
já não valem. (FREIRE, 2002:68).
Como os alunos não apenas
“recebem” mais informações exclusivamente dos professores, estes por sua vez
necessitam criar vínculos dialógicos com o intuito de aproximar não apenas os
alunos de novos conhecimentos, mas também faz com que estes mesmos professores
aprendam a partir de experiências que sozinhos não o fariam.
Estas experiências são
possíveis devido também à pesquisa de informações por meio dos alunos, e isto
estabelece uma nova relação no comportamento do professor cuja “principal
função não pode ser mais uma difusão de conhecimentos (...), sua competência
deve deslocar‐se
no sentido de incentivar a aprendizagem e o pensamento. O professor torna‐se um animador da
inteligência”.(LÉVY,1999:171), e por tudo isto se estabelece também uma nova
relação aluno‐professor.
Desta forma, o papel do
profissional de educação é ainda mais relevante, tendo em vista que o
computador está cada vez mais presente na sociedade, na vida dos jovens e
famílias brasileiras. Este novo elemento traz novas atitudes que inferem na
educação e o professor necessita compreender que novas relações e atitudes são
estas e de que maneira elas podem melhorar ou piorar o desempenho dos alunos.
Texto integral
OLIVEIRA, Francisco Santana de. Hipertexto
E Letramento Midiático: Os Novos Recursos E A Função Do Professor No Processo
De Educação. 2º Simpósio Hipertexto
e Tecnologias na Educação: Modalidade e Ensino. Recife, Universidade Federal do
Pernambuco, 2008. Disponível em: https://www.ufpe.br/nehte/simposio2008/anais/Francisco-Santana-Oliveira.pdf



