segunda-feira, 13 de julho de 2015


Exibido em 2006, Lifted ou Quase Abduzidos, curta-metragem dos estúdios Pixar, dirigido por Gary Rydstrom, é uma excelente opção para trabalhar, discutir e refletir sobre a relação professor-aluno, especialmente em cursos de formação de professores e reuniões pedagógicas.

Até que ponto a educação é puramente transmissão de conteúdo? Quando ela deve deixar de apenas formal para ser formativa?

A sugestão de atividade é das alunas Anair Rodriguez de Tuya, Anita Michele Alvarenga dos Santos, Cassia da Silva Lima, Eliana Scarpa Bosso, e Julia Ribeiro Costa, do curso de pós-graduação em Alfabetização e Letramento da UNIMONTE, demonstrada para a disciplina Letramento Digital.



Sugestão de trabalho com o curta-metragem "Quase abduzidos" (PIXAR)

Tema: Relação professor-aluno
Publico-Alvo: alunos de Pedagogia e demais licenciaturas; professores
Objetivo: Perceber a importância de se utilizar o vídeo como recurso pedagógico na escola.

2. Procedimentos:

 2.1 Antes de colocar o vídeo, será fornecido um roteiro de observação aos alunos.


 2.2.Roteiro


    -  Descreva a cena.

    -  O que representa os personagens
    - Faça um paralelo entre o vídeo e a sala de aula
    - Observe a relação professor-aluno
    - O emocional das personagens é modificado ao longo do filme> Explique.
    - O aluno busca orientação ?
    - Este professor pode ser considerado mediador do ensino aprendizagem>Por quê?>
    - Observe a linguaguem utilizada pelos personagens para se comunicar.
    - O que entende por  abduzidos.
    - Com qual personagem você se identifica. Por quê?>
    - O que caracteriza o humor da animação.

3.Depois da exibição, os alunos se reúnem em grupo e sintetizam o que observaram.

4.Em seguida, as observações serão socializadas no quadro-negro ou painel.


5.Finalmente, abrir uma discussão: Como deve ser  a relação professor-aluno. Justifique.

Audiovisual em sala de aula: trabalhando respeito e autoestima



Lançado no Brasil em 2003, como curta de abertura do filme "Os Incríveis", "Pular", dirigido por Bud Luckey, dos estúdios Pixar, é uma verdadeira lição de vida. 
A história da ovelhinha que, após perder sua pelagem também perde sua autoestima, nos mostra que, mais importante do que o que temos é o que somos.
Com a ajuda de um leprílope forasteiro ela resgata seu amor próprio e também o respeito de todos.

Excelente para trabalhar autoestima e respeito, com alunos de todas as idades, para os professores, segue a sugestão  de plano de aula das alunas Ana Paula Salles, Janayna Santos, Karina Aires e Sandra Gonçalves, do curso de Pós-graduação em Alfabetização e Letramento da UNIMONTE, trabalho mostrado na disciplina Letramento Digital.


Plano de aula

Disciplina: História, Geografia e Língua Portuguesa

Ano: 4º Ano

Tema: Respeito e autonomia. As questões abordadas no vídeo são inseridas nos parâmetros curriculares nacionais de Ética e pluralidade cultural que visam trabalhar com valores que remetem à cidadania, democracia e boa convivência. Como a atividade será feita com crianças de 9 a 10 anos o enfoque será no respeito às diferenças contextualizando a história de cada um, reconhecendo a formação familiar e de encontro às mudanças quanto ao sentimento frente a se ver capaz de enfrentar as contrariedades dessa idade acreditando na sua autoestima e na possibilidade do seu crescimento.

Objetivo geral: Propiciar aos educandos interações da linguagem escrita e o universo digital contribuindo para o desenvolvimento do senso crítico, reflexivos e participativos do educando.

Objetivos específicos: Perceber-se como diferente do outro, respeitar as características de cada um e ter a tolerância e o respeito como princípios fundamentais para estabelecer um diálogo saudável. 

Conteúdo:
Serão trabalhadas as seguintes habilidades dentro do conteúdo Oralidade: 
Aplicar as regras da língua padrão, em situações de expressão oral.
Participar de situações de intercâmbio oral, ouvindo com atenção, formulando e respondendo às perguntas, explicando e ouvindo explicações manifestando opiniões. 
Conteúdo para habilidade A: Regras de participação em interações orais na sala de aula (respeitar períodos da fala, questionar, sugerir, argumentar).
Conteúdo para habilidade B: Intervenções orais em situações públicas: exposição oral, debate, roda de conversa, seminário. 
Habilidades do conhecimento humano: Sensibilizar para a vantagem de construir um bom convívio em casa, na escola e na comunidade.
Valorizar o diálogo, como forma de resolver conflitos de maneira eficaz e, principalmente, inteligente.
Perceber que o coletivo se constrói com respeito e acolhida às diversas individualidades.
Conteúdos; Adoção de atitudes de respeito e de compreensão pelas diferenças culturais e religiosas entre as pessoas.
Respeito aos sentimentos do outro.
 A importância da amizade para a vida.
Valorização da justiça, da solidariedade e do diálogo.

Desenvolvimento do tema: Inicialmente será mostrado o vídeo aos alunos e logo após eles assistirem começará uma roda de conversa para que sejam verificadas as hipóteses do filme e seus significados e reflexões com as perguntas: 
1-    Quais foram os aspectos positivos do vídeo?
2-    Quais aspectos negativos do filme?
3-    Quais são as ideias principais do texto?
4-    Você daria um novo final para o filme?
Após as perguntas e os momentos de interação será solicitado a eles que registrem a história por meio de desenho e que a façam considerando o início, o meio e o fim. E na hora do registro pode ser solicitado que mudem o final da história e por fim trocam com o colega as ideias dos novos finais inventados. 

Recursos didáticos: Computador ou DVD, folha sulfite, canetinha, lápis de cor, cartolinas coloridas do tamanho da A4 e outros materiais de arte.

Avaliação: avaliação formativa, pois leva em consideração que os estudantes possuem ritmos e processos de aprendizagem diferentes. A mesma será realizada levando em consideração a participação dos alunos por meio da conversa. Até porque as crianças precisam junto a isso aprender outras finalidades dentro dessa atividade como: ter a oportunidade de expor seus pontos de vista; respeitar a opinião dos colegas; prestar atenção ao que está sendo discutido, ter a percepção de fazer a filtragem do que cabe acrescentar em seu repertório de ideias, ou não.
Desenvolvendo a habilidade de argumentação e a oralidade, faz com que o aluno aprenda a escutar com um propósito.
Ao avaliar o progresso dos alunos na aprendizagem, o professor obtém informações valiosas sobre seu próprio trabalho. Nesse sentido, a avaliação tem uma função de feedback, porque fornece ao professor dados para ele repensar e replanejar sua atuação didática, visando aperfeiçoá-la, de modo que seus alunos obtenham mais êxito na aprendizagem.



Audiovisual em sala de aula: as idas e vindas das relações interpessoais




As sábias palavras de Goethe já anunciaram "Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor!"

Em "O guarda-chuva azul", curta-metragem de Saschka Unseld, com música de Jon Brion, lançado em 2013 pelos estúdios Pixar, os objetos que se encontram nas ruas de uma grande cidade ganham vida e são humanizados. Neste cenário cosmopolita, um guarda-chuva azul apaixona-se por um guarda-chuva vermelho, mas uma forte chuva acaba separando os dois. As placas, caixas de correio e demais objetos da cidade fazem de tudo para reunir o casal.


O plano de aula desenvolvido pelas alunas Aline Cardoso, Jacqueline Rodrigues, Joelma Souza e Winnie Pelegrin Pereira, do curso de pós-graduação em Alfabetização e Letramento da UNIMONTE, para a disciplina Letramento Digital, é uma opção para o professor que quer trabalhar relações interpessoais, sentimentos e persistência.


PLANO DE AULA BASEADO NO CURTA-METRAGEM: O GUARDA-CHUVA AZUL (PIXAR)
Público alvo:
Alunos do 5º ensino fundamental I
Justificativa:
No espaço educativo, é importante manter relações saudáveis, que gerem sentimentos positivos, facilitando não só a harmonia entre as pessoas, como também a produtividade e a eficácia no processo ensino-aprendizagem.
Objetivos:
 Trabalhar relações interpessoais no contexto escolar;
Criar um ambiente de estudo, baseado na amizade e respeito;
Refletir sobre a necessidade que todo ser humano tem de conviver em grupo;
Conhecer a si mesmo para poder conhecer e compreender o outro.
Metodologia:
Depois de apresentar o filme para a turma, realizar debate que enriquecerá as muitas  leituras e abordagens,uma vez que cada um terá um olhar a partir da visão de mundo;
Produção de texto: Escrever um novo final para o curta;
Recriar alguma cena do vídeo, explorando outras linguagens artísticas, como a dança,teatro ou música;
Dinâmica em grupo, para propiciar a integração e o relacionamento interpessoal entre alunos e professor;
Realizar momento de reflexão com leituras de textos, atrelados com a mensagem que o vídeo transmitiu.

Audiovisual em sala de aula: discutindo valores




Dirigido por Peter Sohn, o curta-metragem "Parcialmente nublado" (2009), dos estúdios Pixar, é uma excelente opção para os professores que querem discutir valores, como amizade, dedicação e respeito, em sala de aula, com alunos de todas as idades.

A sugestão de trabalho é das alunas: Bárbara Cristina Costa Pires, 
žFlávia Maria da Silva, Juciane da Costa Menezes, Marcela Dias Pereira Costa, Severina Rosa Giacomini, Simoni Souza Pellini e Shirley Ferreira Queiroz, do curso de pós-graduação em Alfabetização e Letramento, UNIMONTE.

Audiovisual em sala de aula: discutindo a modernidade e suas implicações


Discutir a sociedade da informações e suas vantagens e consequências é a sugestão de trabalho, tendo como mote o curta-metragem "A Ilha".

O curta, dirigido por Alê Camargo, conta a história de Edu, um rapaz que fica ilhado em uma grande metrópole. O filme aborda de maneira bem humorada os problemas e dificuldades de se viver em uma cidade grande, na qual as aparências enganam e o simples ato de se atrever a atravessar uma rua pode ser um problema.


Segue, abaixo, a sugestão de trabalho, dada pelos alunos do curso de Pós-Graduação em Alfabetização e Letramento, UNIMONTE, para a disciplina Letramento Digital.




Alunos: Bruna Marinho, Dayane Cristina, Flávia Ramos Neves, Lais Neri, Rafael dos Santos e Veronica Ferraz. 


PLANO DE AULA 

OBJETIVO: investigar o impacto de algumas modernidades da tecnologia no nosso cotidiano e refletir sobre a seguinte pergunta “QUAIS OS BENEFÍCIOS E MALEFÍCIOS DA TECNOLOGIA?”.
FAIXA ETÁRIA: 9 anos de idade
DISCIPLINAS: Português, História.
MATERIAIS: Qualquer meio que permita acesso à internet e Data show
NÚMERO DE AULAS: 4

DESENVOLVIMENTO:
1º O docente mostrará diferentes imagens que levem o discente à reflexão sobre a tecnologia e a transformação na vida das pessoas;

2º Os alunos, divididos em grupos de até 4 integrantes, deverão analisar cada imagem e pesquisar sobre determinados assuntos que influem no cotidiano acerca das transformações tecnológicas;

3º As pesquisas deverão ser apresentadas por cada grupo;

4º Após às apresentações os alunos deverão responder por meio de um texto dissertativo respondendo a pergunta: “Quais os benefícios e malefícios da tecnologia na vida das pessoas?”

AVALIAÇÃO
Será feita mediante à apresentação dos textos dissertativos. Cabe ao docente escolher algumas dissertações e promover um debate para que possa analisar se os objetivos da atividade foram alcançados


terça-feira, 30 de junho de 2015

EaD: a nova realidade do cenário educacional?

A Educação a Distância, por alguns nomeada como Educação Mediada por Tecnologias, vem crescendo ano a ano. São centenas de cursos, incluindo curta duração, graduação e pós-graduação, e milhares de alunos.

Para fecharmos a discussão sobre a tecnologia e educação, que consolida a necessidade para o letramento digital o quanto antes dos profissionais da área, trago como pauta um texto do Professor José Manuel Moran, da Universidade de São Paulo, especialista na área, que é parte integrante do livro “Educação a Distância: pontos e contrapontos” (Summus Editorial, 2011), de autoria dele em conjunto com o Professor José Armando Valente, da Unicamp, também pesquisador da área.





A EAD no Brasil: cenário atual e caminhos viáveis de mudança

José Moran



A Educação a distância no Brasil encontra-se em uma fase de mudanças rápidas, crescimento quantitativo forte, em direções diferentes, depois de um período – no ensino formal – de forte regulação e controle.

A EAD, no ensino superior, cresce mais que o presencial (12% x 3% respectivamente). A tendência é para o fortalecimento dos modelos online. 83,7% dos alunos estão em instituições privadas, onde há uma alta concentração: três delas detêm mais de 40% dos mais de um milhão e cem mil alunos (Censo MEC de 2011-2012). As instituições públicas só tem 16,3% dos alunos e nenhuma delas consegue um alcance realmente nacional, porque a política do MEC privilegia o atendimento regional de cada universidade.

Todas as instituições estão na berlinda, buscando como se posicionar num cenário tão competitivo e complexo. Os grandes grupos têm capital, modelos padronizados, alta escalabilidade, fortes investimentos em marketing, salários relativamente baixos, custos diluídos e uma integração cada vez maior com os cursos presenciais. Há outros grupos privados, como os confessionais, que procuram crescer com mais cuidado e tentar manter o nível de resultados nas avaliações semelhante ao dos cursos presenciais. Muitas instituições entraram com cuidado na EAD pelos altos custos de manter polos, pela burocracia na tramitação legal, por preconceitos ainda existentes e pela força da concorrência dos grandes grupos. A maior parte das instituições privadas ainda não entrou na EAD, está em dúvida do que fazer, tentadas pelo crescimento expressivo da área e a diminuição de crescimento no presencial. Algumas começam a entrar na EAD para defender-se nos territórios onde são conhecidas.

Nas instituições públicas há um crescimento e consolidação crescentes, na formação de professores, onde atuam mais de cem instituições superiores federais (55 universidades federais, 29, Estaduais e 17 Institutos Federais), mas ainda há resistências internas, dificuldades no reconhecimento institucional. Também falta escalabilidade (atuação conjunta nacional) e modelos mais flexíveis e integrados com os presenciais para poder concorrer com os modelos privados maiores.

Muitas instituições banalizam a EAD; pensam que é fácil, barata, com recursos mínimos e que qualquer um pode trabalhar nela ou ser aluno. Muitos cursos são previsíveis, com informação simplificada, conteúdo raso e poucas atividades estimulantes e em ambientes virtuais pobres, banais. Focam mais conteúdos mínimos do que metodologias ativas como desafios, jogos, projetos. Alguns materiais são inferiores aos que são exigidos em cursos presenciais. Contratam profissionais com pouca experiência, mal remunerados, principalmente os tutores, sobrecarregados de atividades e de alunos. As práticas laboratoriais e de campo muitas vezes são quase inexistentes.

Muitos professores e alunos encontram dificuldades maiores de adaptar-se à EAD do que eles imaginavam. Muitos docentes e tutores não se sentem confortáveis nos ambientes virtuais, não tem a disciplina necessária para gerenciar fóruns, prazos, atividades. A falta de contato físico os perturba. O mesmo acontece com parte dos alunos, pouco autônomos, com deficiências na formação básica. Para muitos falta disciplina, gestão do tempo: se perdem nos prazos, na capacidade de entender e acompanhar cada etapa prevista. Muitos demoram para adaptar-se aos ambientes virtuais cheios de materiais, atividades, informações. Sentem falta do contato físico, da turma, quando o curso é todo pela WEB. O ambiente digital para quem não está acostumado é confuso, distante, pouco intuitivo e agradável.


Que instituições se consolidarão na EAD nos próximos anos?

As instituições que atuam na EAD terão relevância quando apresentem modelos mais eficientes, atraentes e adaptados aos alunos de hoje; quando superem os modelos conteudistas predominantes, em que tudo é previsto antes e é aplicado de uma forma igual para todos, ao mesmo tempo, de forma convencional.

Prevalecerão, no médio prazo, as instituições que realmente apostem na educação com projetos pedagógicos atualizados, com metodologias atraentes, com professores e tutores bons, com materiais muito interessantes e com inteligência nos sistemas (plataformas adaptativas) para ajudar os alunos na maior parte de suas necessidades, reduzindo o número de horas de tutoria, mas com profissionais mais capacitados para gerenciar atividades de aprendizagem mais complexas e desafiadoras. É possível hoje oferecer propostas mais personalizadas, monitorando-as, avaliando-as em tempo real, o que não era viável na educação a distância mais massiva ou convencional.

A qualidade não pode ser só um discurso, mas um compromisso efetivo de todos os setores das instituições. As instituições sérias obterão melhores resultados nas avaliações externas e no reconhecimento dos seus alunos, na divulgação do grau de satisfação. Os grandes grupos de capital aberto tendem a crescer, por enquanto, mas correm riscos de se tornarem menos relevantes pela necessidade de obter resultados no curto prazo, com o desbalanceamento entre o econômico e o acadêmico. Educação é projeto de longo prazo, e a credibilidade acadêmica, fundamental. Num período de grandes mudanças nas formas de ensinar e de aprender, se a política de conseguir lucros sempre maiores continuar se sobrepondo à da melhoria nos resultados acadêmicos, isso comprometerá os resultados e o sucesso atual poderá não se manter por muito tempo.

A legislação do presencial e da EAD está inadequada para a realidade atual. Entendo que precisamos de parâmetros para poder comparar, e poder agir com os mal-intencionados ou incompetentes. As instituições muitas vezes não ousam porque a legislação é retrógrada, burocrática, restritiva. Por que ainda se mantêm um limite de vinte por cento de atividades a distância em cursos presenciais? É uma bobagem diante de um mundo em que aprendemos de formas flexíveis. Somos o único país que limita legalmente as atividades a distância no presencial; com isso, dificulta-se o avanço de modelos integradores mais avançados.


Mais textos de José Manuel Moran você encontra em:
Educação Humanista Inovadora
http://www2.eca.usp.br/moran/

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Multimeios e Educação - Uso do audiovisual em Sala de Aula



Finalmente o vídeo está chegando à sala de aula. E dele se esperam, como em tecnologias anteriores, soluções imediatas para os problemas crônicos do ensino-aprendizagem. O vídeo ajuda a um bom professor, atrai os alunos, mas não modifica substancialmente a relação pedagógica. Aproxima a sala de aula do cotidiano, das linguagens de aprendizagem e comunicação da sociedade urbana, mas também introduz novas questões no processo educacional.

O vídeo está umbilicalmente ligado à televisão e a um contexto de lazer, e entretenimento, que passa imperceptivelmente para a sala de aula. Vídeo, na cabeça dos alunos, significa descanso e não "aula", o que modifica a postura, as expectativas em relação ao seu uso. Precisamos aproveitar essa expectativa positiva para atrair o aluno para os assuntos do nosso planejamento pedagógico. Mas ao mesmo tempo, saber que necessitamos prestar atenção para estabelecer novas pontes entre o vídeo e as outras dinâmicas da aula.

Vídeo significa também uma forma de contar multilinguística, de superposição de códigos e significações, predominantemente audiovisuais, mais próxima da sensibilidade e prática do homem urbano e ainda distante da linguagem educacional, mais apoiada no discurso verbal-escrito.


Linguagens do audiovisual

O vídeo parte do concreto, do visível, do imediato, próximo, que toca todos os sentidos. Mexe com o corpo, com a pele -nos toca e "tocamos" os outros, estão ao nosso alcance através dos recortes visuais, do close, do som estéreo envolvente. Pelo vídeo sentimos, experienciamos sensorialmente o outro, o mundo, nós mesmos.

O vídeo explora também e, basicamente, o ver, o visualizar, o ter diante de nós as situações, as pessoas, os cenários, as cores, as relações espaciais (próximo-distante, alto-baixo, direita-esquerda, grande-pequeno, equilíbrio-desequilíbrio). Desenvolve um ver entrecortado - com múltiplos recortes da realidade -através dos planos- e muitos ritmos visuais: imagens estáticas e dinâmicas, câmera fixa ou em movimento, uma ou várias câmeras, personagens quietos ou movendo-se, imagens ao vivo, gravadas ou criadas no computador. Um ver que está situado no presente, mas que o interliga não linearmente com o passado e com o futuro. O ver está, na maior parte das vezes, apoiando o falar, o narrar, o contar histórias. A fala aproxima o vídeo do cotidiano, de como as pessoas se comunicam habitualmente. Os diálogos expressam a fala coloquial, enquanto o narrador (normalmente em off) "costura" as cenas, as outras falas, dentro da norma culta, orientando a significação do conjunto. A narração falada ancora todo o processo de significação.

A música e os efeitos sonoros servem como evocação, lembrança (de situações passadas), de ilustração -associados a personagens do presente, como nas telenovelas- e de criação de expectativas, antecipando reações e informações. O vídeo é também escrita. Os textos, legendas, citações aparecem cada vez mais na tela, principalmente nas traduções (legendas de filmes) e nas entrevistas com estrangeiros. A escrita na tela hoje é fácil através do gerador de caracteres, que permite colocar na tela textos coloridos, de vários tamanhos e com rapidez, fixando ainda mais a significação atribuída à narrativa falada. O vídeo é sensorial, visual, linguagem falada, linguagem musical e escrita. Linguagens que interagem superpostas, interligadas, somadas, não separadas. Daí a sua força. Nos atingem por todos os sentidos e de todas as maneiras. O vídeo nos seduz, informa, entretém, projeta em outras realidades (no imaginário) em outros tempos e espaços. O vídeo combina a comunicação sensorial-cinestésica, com a audiovisual, a intuição com a lógica, a emoção com a razão. Combina, mas começa pelo sensorial, pelo emocional e pelo intuitivo, para atingir posteriormente o racional.

As linguagens do audiovisual respondem à sensibilidade dos jovens e da grande maioria da população adulta. São dinâmicas, dirigem-se antes à afetividade do que à razão. O jovem lê o que pode visualizar, precisa ver para compreender. Toda a sua fala é mais sensorial-visual do que racional e abstrata. Lê, vendo, desenvolvendo, assim, múltiplas atitudes perceptivas


Propostas de Uso do Vídeo

Proponho, a seguir, um roteiro simplificado e esquemático com algumas formas de trabalhar com o vídeo na sala de aula. Como roteiro não há uma ordem rigorosa e pressupõe total liberdade de adaptação destas propostas à realidade de cada professor e dos seus alunos.


Usos Inadequados em Aula

Vídeo-tapa buraco: colocar vídeo quando há um problema inesperado, como ausência do professor. Usar este expediente eventualmente pode ser útil, mas se for feito com freqüência, desvaloriza o uso do vídeo e o associa -na cabeça do aluno- a não ter aula.

Vídeo-enrolação: exibir um vídeo sem muita ligação com a matéria. O aluno percebe que o vídeo é usado como forma de camuflar a aula. Pode concordar na hora, mas discorda do seu mau uso.

Vídeo-deslumbramento: O professor que acaba de descobrir o uso do vídeo costuma empolgar-se e passa vídeo em todas as aulas, esquecendo outras dinâmicas mais pertinentes. O uso exagerado do vídeo diminui a sua eficácia e empobrece as aulas.

Vídeo-perfeição: Existem professores que questionam todos os vídeos possíveis porque possuem defeitos de informação ou estéticos. Os vídeos que apresentam conceitos problemáticos podem ser usados para descobri-los,junto com os alunos, e questioná-los.

Só vídeo: não é satisfatório didaticamente exibir o vídeo sem discuti-lo, sem integrá-lo com o assunto de aula, sem voltar e mostrar alguns momentos mais importantes.


Propostas de Utilização

Vídeo como sensibilização: É, do meu ponto de vista, ouso mais importante na escola. Um bom vídeo é interessantíssimo para introduzir um novo assunto, para despertar a curiosidade, a motivação para novos temas. Isso facilitará o desejo de pesquisa nos alunos para aprofundar o assunto do vídeo e da matéria.

Vídeo como ilustração: O vídeo muitas vezes ajuda a mostrar o que se fala em aula, a compor cenários desconhecidos dos alunos. Por exemplo, um vídeo que exemplifica como eram os romanos na época de Julio César ou Nero, mesmo que não seja totalmente fiel, ajuda a situar os alunos no tempo histórico. Um vídeo traz para a sala de aula realidades distantes dos alunos, como por exemplo a Amazônia ou a África. A vida se aproxima da escola através do vídeo.

Vídeo como simulação: É uma ilustração mais sofisticada. O vídeo pode simular experiências de química que seriam perigosas em laboratório ou que exigiriam muito tempo e recursos. Um vídeo pode mostrar o crescimento acelerado de uma planta, de uma árvore -da semente até a maturidade- em poucos segundos

Vídeo como conteúdo de ensino: Vídeo que mostra determinado assunto, de forma direta ou indireta. De forma direta, quando informa sobre um tema específico orientando a sua interpretação. De forma indireta, quando mostra um tema, permitindo abordagens múltiplas, interdisciplinares.

Vídeo como produção:  Como documentação, registro de eventos, de aulas, de estudos do meio, de experiências, de entrevistas, depoimentos. Isto facilita o trabalho do professor, dos alunos e dos futuros alunos. O professor deve poder documentar o que é mais importante para o seu trabalho, ter o seu próprio material de vídeo assim como tem os seus livros e apostilas para preparar as suas aulas. O professor estará atento para gravar o material audiovisual mais utilizado, para não depender sempre do empréstimo ou aluguel dos mesmos programas.

Vídeo espelho: Vejo-me na tela para poder compreender-me, para descobrir meu corpo, meus gestos, meus cacoetes. Vídeo-espelho para análise do grupo e dos papéis de cada um, para acompanhar o comportamento de cada um, do ponto de vista participativo, para incentivar os mais retraídos e pedir aos que falam muito para darem mais espaço aos colegas. O vídeo-espelho é de grande utilidade para o professor se ver, examinar sua comunicação com os alunos, suas qualidades e defeitos.


Dinâmicas de análise
  
Análise em conjunto: O professor exibe as cenas mais importantes e as comenta junto com os alunos, a partir do que estes destacam ou perguntam. É uma conversa sobre o vídeo, com o professor como moderador.
O professor não deve se o primeiro a dar a sua opinião, principalmente em matérias controvertidas, nem monopolizar a discussão, mas tampouco deve ficar encima do muro. Deve posicionar-se, depois dos alunos, trabalhando sempre dois planos: o ideal e o real; o que deveria ser (modelo ideal) e o que costuma ser (modelo real).

Análise globalizante: Fazer, depois da exibição, estas quatro perguntas:
- Aspectos positivos do vídeo
- Aspectos negativos
- Ideias principais que passa
- O que vocês mudariam neste vídeo
Se houver tempo, essas perguntas serão respondidas primeiro em grupos menores e depois relatadas/escritas no plenário. O professor e os alunos destacam as coincidências e divergências. O professor faz a síntese final, devolvendo ao grupo as leituras predominantes (onde se expressam valores, que mostram como o grupo é).

Análise Concentrada: Escolher, depois da exibição, uma ou das cenas marcantes. Revê-las uma ou mais vezes. Perguntar (oralmente o por escrito):
- O que chama mais a atenção (imagem/som/palavra)
- O que dizem as cenas (significados)
- Consequências, aplicações (para a nossa vida, para o grupo).

Análise "funcional": Antes da exibição, escolher algumas funções ou tarefas (desenvolvidas por vários alunos):
- o contador de cenas (descrição sumária, por um ou mais alunos)
- anotar as palavras-chave
- anotar as imagens mais significativas
- caracterização dos personagens
- música e efeitos
- mudanças acontecidas no vídeo (do começo até o final).

Depois da exibição, cada aluno fala e o resultado é colocado no quadro negro ou painel. A partir do quadro, o professor completa com os alunos as informações, relaciona os dados, questiona as soluções apresentadas.


Análise da linguagem: trabalho descritivo de compreensão e intrerpretação:
- Que história é contada (reconstrução da história)
- Como é contada essa história
. o que lhe chamou a atenção visualmente
. o que destacaria nos diálogos e na música
- Que ideias passa claramente o programa (o que diz claramente esta história)
. O que contam e representam os personagens
. Modelo de sociedade apresentado
- Ideologia do programa
- Mensagens não questionadas (pressupostos ou hipóteses aceitos
de antemão, sem discussão).
. Valores afirmados e negados pelo programa (como são apresentados a justiça, o trabalho, o amor, o mundo)
- Como cada participante julga esses valores (concordâncias e discordâncias nos sistemas de valores envolvidos). A partir de onde cada um de nós julga a história.


Referências
FDE - FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO. Multimeios aplicados à educação: uma leitura crítica. Cadernos Idéias, n.9, São Paulo, FDE, 1990.
BABIN, Pierre e KOPULOUMDJIAN, Marie-France. Os novos modos de compreender; a geração do audiovisual e do computador. São Paulo: Ed. Paulinas, 1989.
FERRÉS, Joan. Vídeo e Educação. 2a ed., Porto Alegre: Artes Médicas (atualmente Artmed), 1996.
____________. Televisão e Educação. São Paulo: Artes Médicas (Artmed), 1996.
MACHADO, Arlindo. A arte do vídeo. São Paulo: Brasiliense, 1988.
MORAN, José Manuel. Leituras dos Meios de Comunicação. São Paulo, Ed. Pancast, 1993.
 __________________. Como ver Televisão. São Paulo, Ed. Paulinas, 1991.
MORAN, José Manuel, MASETTO, Marcos e BEHRENS, Marilda. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. 7ª ed., Campinas: Papirus, 2003.

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